Raízes Históricas

O ICEB CONTA SUA HISTÓRIA

Nascem as Raízes do ICEB – Faculdade Brasileira de Estudos Psíquicos

O Instituto de Cultura Espírita do Brasil tem suas raízes na antiga Faculdade Brasileira de Estudos Psíquicos, do então estado da Guanabara. E nas palavras do próprio Deolindo:
“É provável que muitos confrades nossos, no próprio meio espírita, desconheçam a história da Faculdade Brasileira de Estudos Psíquicos, iniciativa e realização de um grupo de idealistas.”
Conta-nos Deolindo que “o maior objetivo da Faculdade de Estudos Psíquicos era justamente despertar interesse pelos estudos espiritualistas em geral, e, de um modo especial, melhorar o nível intelectual de doutrinadores e expositores da Doutrina Espírita, dando-lhes oportunidade franca de formar um lastro de cultura capaz de atender às próprias exigências da vida moderna em relação à divulgação da doutrina. Foi sob esta feliz inspiração que nasceu a Faculdade. Entre seus fundadores e professores, havia elementos oriundos de diversas correntes espiritualistas: umbandistas, teosofistas, esoteristas, etc., mas alguns espíritas logo se juntaram ao grupo, justamente porque compreenderam e sentiram os objetivos da iniciativa.”
Impunha-se assim o cenário onde o ICEB lançaria suas raízes – espaço aberto para todas as crenças.

 

Por que Instituto?

“De reforma em reforma do ensino no Brasil, chegamos a um ponto em que na realidade, já não havia lugar para Faculdades Livres. Depois da II Guerra, entretanto, a sociedade em geral sofreu transformações intensas e inevitáveis. Nossa Faculdade já estava a bem dizer deslocada como estabelecimento livre, diante de fenômenos conjunturais e inteiramente novos.”
“Dificuldades e mais dificuldades. E tudo isso por causa do nome: Faculdade. É que os tempos já eram outros, e não podíamos deixar de reconhecer a contingência em que nos encontrávamos, por força das mudanças sociais.”
E complementa Deolindo: “Nosso objetivo era bem outro: a cultura espiritual, servindo-se da cultura humana como instrumento.”
“O nome Instituto tem sentido mais elástico e, por isso, não traz implicações de Faculdade, que já é uma estrutura específica, regida por leis próprias.”, afirmava Deolindo.

 

O Nome

“A idéia de Instituto, muito antes, já havia sido ventilada pelo saudoso confrade Artur Machado, antigo vice-presidente da Liga Espírita. Artur Machado pensava na criação de uma sociedade do tipo de Instituto e chegou a promover reuniões em sua residência, na Rua André Cavalcanti. Houve um projeto ou esboço de estatuto, com a colaboração do general Araripe de Faria, lembro-me bem. Foi há muito tempo.”
“O nome do Instituto de Cultura Espírita do Brasil não foi imposto, não foi lançado de um jato. Não. Foram propostas, em assembléia, pelo menos três denominações:

  1. Instituto de Estudos Espíritas – proposta pelo Cel. Delfino Ferreira
    Instituto Brasileiro de Espiritismo
    Instituto de Cultura Espírita do Brasil

O Dr. Carlos Imbassahy ainda sugeriu “Instituto de Ciência Psíquica”. Houve votação. Não foi escolha individual. Apurada a votação da assembléia, venceu o nome Instituto de Cultura Espírita do Brasil por maioria de votos”, relembra Deolindo.

 

Nem Fusão, Nem Transformação

Continua Deolindo: “Cessado o compromisso com a Faculdade, cogitou-se logo de criar um Instituto espírita, sem vínculo estatutário com aquela Instituição. Fundou-se o Instituto no dia 7 de dezembro de 1957, em assembléia realizada na sede da Liga Espírita. Continuaram os antigos professores e vieram outros.”
Nem fusão, nem transformação, como dizia Deolindo. “O Instituto veio, como se vê, depois da Faculdade Brasileira de Estudos Psíquicos, não é o resultado de uma fusão nem transformação. A Faculdade ficou e o Instituto surgiu, por necessidade, e dentro de outro quadro de circunstâncias.”

 

Por que um Curso Regular de Espiritismo

Iniciava-se assim a trajetória do Instituto. Questionado de por que o Instituto de Cultura Espírita do Brasil desempenhava seu papel através de um curso regular de Espiritismo, Deolindo respondeu:
“O Instituto é uma entidade nova, mas não tem a pretensão de ser original, visto como a idéia de cursos de Espiritismo é muito mais antiga do que a nossa geração, conquanto muitas pessoas ainda vejam nisto um arremedo acadêmico, sem utilidade para o progresso do Espírito. Não é verdade, e é o bom senso, é a experiência que o demonstra. Que nos baste apenas recordar que partiu do próprio Allan Kardec a primeira idéia de um curso regular de Espiritismo. Está em “Obras Póstumas”, no projeto de 1868, já muitas vezes citado. Um curso – dizia ele – para “desenvolver os princípios da ciência e difundir o gosto pelos estudos sérios”. A Idéia, portanto, vem de longe. Kardec, com a sua iluminação espiritual, já previa há quase um século, a repercussão do Espiritismo também na cultura humana, e por isso ele próprio chegara a dizer que o Espiritismo ainda viria retificar os erros da História.”.
“É indispensável que a cultura humana jamais venha a sobrepujar a cultura espiritual”, continua Deolindo Amorim. ”Isto seria a inversão da ordem lógica. Um Curso de Espiritismo deve ter a preocupação precípua dos valores espirituais sem subestimar os valores do mundo. O perigo está em trocar as posições e fazer da cultura humana o fim quando ela é apenas um meio. O conhecimento humano abre o caminho, mas não é o ponto final da jornada, porque o espírito não pode progredir sem melhorar o seu sentimento, sem se elevar moralmente pelas realizações íntimas, embora lhe seja necessária a ciência humana.”

 

Nasce a Missão do ICEB – Espaço Aberto para todas as Crenças

Observava Deolindo: “A orientação básica do Instituto de Cultura Espírita do Brasil não pode sair desta linha de pensamento. Se é a Verdade que nos torna livres, como ensina o Evangelho, nosso insubstituível código de moral, precisamos e devemos marchar em busca da Verdade nos dois planos, que se completam e nunca se repelem: a da cultura humana e o da cultura espiritual”.
E conforme Deolindo preconizava: “é exatamente sob esta linha que se trabalha no Instituto de Cultura Espírita do Brasil. Não desejamos Espiritismo acadêmico, mas também não desejamos Espiritismo devocional. Por entender assim é que o Instituto procura ser, com a ajuda do Alto e com a participação de todos os confrades, expositores e amigos, nada mais do que isto: um centro de estudos espíritas, visando a uma cultura capaz de transpor as limitações conceituais e projetar nossa vida no plano do Espírito pelo trabalho, pelo conhecimento e pelo amor, sob a inspiração da Sabedoria Divina”.

 

O ICEB Hoje – Visão de Totalidade na Diversidade

E orientadas por esta diretriz, atraídas por este ideal as pessoas foram chegando, foram somando, cada um dentro de suas afinidades, de acordo com suas condições e possibilidades. Passo a passo, pouco a pouco foi se formando uma grande rede, integrada, unificada e iluminada pela fraternidade.
E paulatinamente o Instituto de Cultura Espírita do Brasil foi criando sua própria personalidade. Foi se transformando em um organismo vivo, pulsante, autônomo e floresceu em toda sua amplitude. Mas isso foi resultado da perseverança de dedicados e corajosos obreiros, pelo idealismo sadio que a todos empolgou em especial aos pioneiros que acenderam as primeiras luzes.
O ICEB é uma grande chama com o fogo da fraternidade acesa permanentemente, aonde, de tempos em tempos, um companheiro, estudioso e difusor da Doutrina Espírita vem buscar a sua pequena chama para fazê-la crepitar em seu núcleo de trabalho, fazendo renascer nos corações dos homens a solidariedade, a caridade, a harmonia, a tolerância, o amor ao próximo.
Vivemos um século novo. À nossa frente à resolução dos grandes problemas do relacionamento humano. Anteriormente resolvemos bem as questões da inteligência. Agora é a hora da convivência sadia, construtiva, amena, pacífica, feliz.
Uma nova renascença se faz presente, um novo modelo se estabelece, onde se busca a valorização do homem como ser integral, pleno, uno em sua razão, seus sentimentos, suas emoções e sensações.
“Chegou a hora do encontro da ciência com a espiritualidade. Chegou o tempo da sabedoria humana e espiritual, de fraternidade pessoal e coletiva, de uma postura terapêutica de cada um em relação a todos. A responsabilidade social decorrerá da renovação ética e moral, da substituição do egoísmo pelo altruísmo e da compreensão de que o evangelho vivido é caridade aplicada”.
Diante da mudança de paradigma que hoje se verifica, onde a busca pela visão de totalidade, da integração e interconexão de tudo e de todos começa a ser uma constante em todas as áreas do conhecimento humano, onde a reformulação de modelos mentais e a construção de novos relacionamentos são condição “sine qua non” de sustentabilidade, a educação e a construção do novo homem se tornaram o centro do futuro da humanidade planetária.
Dentro deste contexto que se estabelece, está atuando o Instituto de Cultura Espírita do Brasil, alimentado pelo mesmo ideal de seus fundadores, produzindo um novo fazer, um novo saber, um novo sistema de crenças e valores, buscando a construção de um tempo novo.

Obrigado Deolindo!

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